No dia 05 de setembro, a Rede Margaridas Pró-Crianças e Adolescentes (Remar) promoveu o 19º Encontro Intermunicipal de Protagonismo e Participação de Crianças e Adolescentes, com o tema “Saúde Mental de Crianças e Adolescentes: Um Direito em Foco”, no Centro de Capacitação de Lucena.
O objetivo principal do encontro foi reunir crianças, adolescentes e profissionais para participar de atividades lúdicas e descontraídas, promovendo o fortalecimento da liderança juvenil e o exercício da cidadania com um compromisso voltado para as políticas públicas relacionadas aos direitos da criança e do adolescente, especialmente no que se refere ao direito à saúde mental.


O evento contou com a participação de aproximadamente 100 pessoas, dentre elas crianças, adolescentes e educadores/as dos municípios de Caaporã, Cruz do Espírito Santo, Cabedelo, João Pessoa, Lucena, Sapé e Santa Rita, refletindo um esforço conjunto para abordar questões cruciais e avançar nas discussões sobre a saúde mental infantojuvenil.
PROGRAMAÇÃO E DINÂMICA DO ENCONTRO
A programação começou às 9h com a fala de boas-vindas de Reinaldo Mendes, Assessor do Eixo do Protagonismo e Participação de Adolescentes da Remar que apresentou a proposta do encontro aos presentes. Em seguida, Marcos Cardoso, representante do Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente de Lucena, acolheu os/as participantes do evento.
Em seguida, o grupo participou das dinâmicas planejadas para o momento conduzidas pelos adolescentes Kaio da Conceição e Leandra Araújo (João Pessoa). Atividade com o objetivo de promover a integração dos participantes e criar um ambiente colaborativo. Outro momento interessante e integrativo foi a atividade “Bingo dos Sentimentos”, coordenada por Amanda Ferreira e Gustavo Maciel (Sapé). Esta dinâmica teve a duração de 20 minutos e visou explorar e identificar diferentes sentimentos entre os participantes de forma lúdica e interativa.

Para o momento seguinte, os/as participantes foram divididos/as, em grupos, para a realização de um trabalho com duração de 1 hora. Os grupos de trabalho foram conduzidos com a participação de um adolescente e uma educadora de referência e estavam organizados em Grupos de Trabalho (GTs). O GT1 – Quais são as barreiras que dificultam o acesso aos serviços de saúde mental? Este grupo, foi conduzido pela adolescentes Rihanna Mendes e a educadora Nidja Raylla e Rihanna Mendes, discutiu os obstáculos que impedem ou dificultam o acesso aos serviços de saúde mental, incluindo questões financeiras, falta de informação, estigma social e localização geográfica.
No GT2 – Quais são os desafios enfrentados durante o tratamento de saúde mental? A adolescente Isabelly Eloiza e a educadora Thais Vasconcelos foram responsáveis por este grupo, que se concentrou nas dificuldades surgidas após o acesso ao serviço, como a falta de continuidade no atendimento, escassez de profissionais qualificados, custos elevados e questões relacionadas à adesão ao tratamento.
Por fim, o GT3 – Quais são as estratégias para melhorar o acesso e a eficácia do tratamento em saúde mental? O Adolescente Anderson Henry e a educadora Amanda Ferreira e o lideraram este grupo, discutindo soluções práticas e propostas para superar as barreiras e desafios identificados nos dois primeiros grupos, com o objetivo de melhorar tanto o acesso quanto a qualidade do tratamento em saúde mental. A culminância dos Gts se deu com cada equipe compartilhando suas discussões e conclusões com os/as demais participantes.
Os apontamentos dos três grupos abordaram aspectos críticos relacionados à saúde mental, suas barreiras, desafios e estratégias para melhoria. O GT 1 focou nas barreiras que dificultam o acesso aos serviços de saúde mental (SM). As principais dificuldades identificadas incluíram o custo elevado dos serviços, a falta de profissionais qualificados, a ausência de apoio das famílias, que muitas vezes não dão a devida atenção aos filhos, desconsideram os problemas como frescura ou não acreditam neles, e a dificuldade de acesso a medicamentos, que muitas vezes precisa ser buscado em outras cidades. Como soluções para esses problemas, foram sugeridas a ampliação das opções de serviços nos municípios, o acesso garantido aos medicamentos, a promoção de campanhas de conscientização, e um maior apoio nas escolas, incluindo reuniões com os responsáveis.
O GT 2 concentrou-se nos desafios enfrentados durante o tratamento de saúde mental. Entre os desafios mencionados estavam o preconceito e os julgamentos, a falta de compreensão e incertezas, a alta demanda por serviços em contraste com a quantidade limitada de vagas e o custo elevado dos serviços particulares. Adicionalmente, foram destacadas as dificuldades em lidar com as emoções, a falta de uma rede de apoio adequada, a dificuldade de aceitação por parte de quem precisa de tratamento e o desrespeito aos direitos dos pacientes e a carência de profissionais capacitados.
E o GT 3 discutiu estratégias para melhorar o acesso e a eficácia do tratamento em saúde mental. Entre as estratégias propostas estavam a criação de mais Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), a promoção de mais diálogo sobre o tema, o aumento do número de profissionais especializados e a oferta de cursos de capacitação para esses profissionais. Além disso, sugeriu-se a implementação de ajudas de custo, parcerias entre municípios, melhorias no transporte, a presença de psicólogos nas escolas preparados para questões de saúde mental, e a implementação de políticas públicas, incluindo a criação de uma política municipal de saúde mental.
Para fechar as apresentações dos grupos, Reinaldo Mendes conduziu uma reflexão sobre o tema da saúde mental como um direito, apresentando dados e promovendo um debate sobre a importância da abordagem do tema sob essa perspectiva. Motivando também o fomento da pauta nos municípios.

Na sequência, a psicóloga Thais Vasconcelos apresentou uma breve sessão sobre onde procurar ajuda, focando em como se comunicar e em espaços de proteção, como forneceu orientações práticas para os participantes sobre como buscar apoio e ajuda adequada. Para finalizar, na parte formativa, foi realizada a atividade “Fato ou Fake”, liderada pelos adolescentes Isabelly Eloiza e Kaio da Conceição. Na qual foram apresentadas medidas de promoção da saúde mental e discutidos temas como lidar com a dor do outro e o que não fazer em situações de suporte emocional.
A formação proporcionou um ambiente enriquecedor para discutir e refletir sobre os desafios e estratégias relacionados à saúde mental, promovendo a troca de conhecimentos e experiências entre os participantes.
Durante a parte da tarde, o evento ofereceu um momento de lazer com um almoço realizado em um restaurante à beira-mar. Os/as participantes tiveram acesso à praia e à piscina, proporcionando uma oportunidade para celebração, intercâmbio e confraternização entre crianças, adolescentes e educadores/as.
A avaliação do encontro foi realizada por meio de emoji contemplando os itens: participação, ambiente e clima, objetivo do encontro, facilitadores, organização e conteúdo e satisfação geral.
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